Pra  ilustrar bem como foi meu dia hoje esse clipe do Foo Fighters é um excelente exemplo

 

Tem gente que explode de amor, de alegria, de tristeza, de euforia, de raiva,… Independente do porque explodir, um dia a gente explode.

Dizem que sou uma pessoa calma, de voz tranquila, que fala baixo e pouco; adjetivos que considero bem negativos, pois muitas vezes as pessoas podem confundir laconismo com omissão e pensam que assim podem falar o que quiserem, fazer o que quiserem, agirem da forma que quiserem que não vai ter problema, pois eu (e quem é assim) não vai falar nem fazer nada. O problema de se fazer o que quer sem levar em consideração a outra pessoa é que às vezes incomodamos sem saber. E essa sementinha de incômodo vai sendo plantada ao lado de outra, e mais outra, e mais outra,… Daí quando vemos tem uma plantação inteira de incômodos prontinha pra desabrochar, chega um ponto que vem a chuva e pronto! Todas as sementes germinaram de uma vez. Nessa hora você explodiu! E  a chuva que fez brotar essas sementes foi só uma garoinha, mas você fez questão de transformá-la numa tempestade.

Nunca escondi de minha família e de meus amigos o quanto detestava a pessoa que dividia o quarto comigo aqui na pensão. Porém na presença dela eu fingia que estava tudo bem, pois querendo ou não confiava nela e preferia que ela ficasse a uma estranha. Porém a convivência foi se tornando cada vez mais difícil, os meus hábitos de designer (ou seja madrugar no laptop) a atrapalhavam em seu sono; e a mediocridade e as manias dela me irritavam profundamente (mesmo ela reclamando dos meus hábitos, eu me mantinha calada no maior estilo Don Corleone possível). Ela cedeu primeiro e foi pra outro quarto. Pura alegria finalmente me livrei do estorvo de morar com alguém que eu detestava, porém a saída  dela zuou muito a minha vida e por muitas burocracias daqui do pensionato me estressei de verdade e gritei com o moço que atende os moradores por inúmeros motivos. Explodi! Explodi tudo que não havia explodido nos cinco meses de convivência com aquela mulher, explodi por estar longe dos meus pais pra me acudir, explodi de raiva por me sacanearem, explodi por explodir!

Me senti como num programa tipo Márcia, Casos de Família, esses bem baixo nível, uma pessoa falando por cima da outra, ninguém se ouvia foi horrível. Sempre odiei esses barracos, nunca fiz isso, sempre odiei quem os fizessem; mas foi inevitável, quando você grita com pessoas que estão dispostas a te dar corda, pessoas de gênio difícil (já ouvi que sou assim várias vezes de pessoas diferentes) você está sujeito a ouvir grosserias e se estressar e se ofender.  Porém pedir desculpas tira um bom pedaço da raiva do coração e assim o fiz. Faltou mesmo foi o colo do papai e da mamãe que de longe conseguem me ajudar a resolver os meus problemas e colocam a voz da razão na minha cabeça pra que eu evite que meu gênio difícil me faça cometer equívocos.

É chato depois de tanto tempo sem escrever (muitas preocupações, muitos trabalhos) ter que falar sobre uma coisa desagradável, mas depois de explodir  eu preciso me justificar, mesmo que seja só pra mim mesma, para eu poder me entender…. E eu sempre chego a mesma conclusão: não importa o quanto eu me analise, que eu saiba meus erros, não consigo me livrar desse traço de minha personalidade de ser rancorosa, não expor meus verdadeiros sentimentos e ficar calada quando me sinto sacaneada. Hoje em dia consigo falar na cara quando acho que uma pessoa está sendo injusta ou medíocre com relação a outra, mas qndo é comigo eu me calo… Talvez com a idade isso passe.